Perto e não distante

Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto e não há ninguém que me socorra. (Sl 22.11.)

Há períodos de vacas gordas na experiência do povo de Deus e na experiência de cada um de nós. Vacas gordas mais no sentido emocional do que no sentido de prosperidade material. Tão distantes de nós estão a dor e o sofrimento, a doença e a morte, que chegamos a nos esquecer desses inimigos conjurados e conjugados. Nem sempre são muito compridos os tempos de paz, de alegria fácil, de exuberância. De repente ou não, o príncipe vira sapo outra vez, e a distante angústia se aproxima. Nesse momento de mudança brusca e nos momentos seguintes, a súplica do salmista é muito justa: “Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto e não há ninguém que me socorra” (Sl 22.11).

Ninguém pode ficar sozinho na hora da dor. Ninguém pode dispensar Deus na hora da angústia. Se a angústia está se aproximando, precisamos reclamar a presença de Deus. Ele não pode ficar distante de nós quando a angústia já não está distante de nós.

Na verdade, Deus nunca se distancia de nós. O próprio salmista o admite: “Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade” (Sl 46.1). O problema é emocional e não teológico. Nós é que raciocinamos de modo impróprio quando a dor se aproxima. Mas não faz mal. Deus entende e, além de tudo, é misericordioso. Ele permite que o chamemos para mais perto, que reclamemos a sua presença.

Quando pedimos que Deus se aproxime de nós, estamos exteriorizando formalmente a nossa dependência dele, o que equivale a uma confissão de impotência própria. Estamos jogando fora o pecado do orgulho. Daí a observação do salmista: “O Senhor está perto dos que têm coração quebrantado e salva os de espírito abatido” (Sl 34.18). Elben César

Fonte: Refeições Diárias com o Sabor dos Salmos