Em período de Copa do Mundo de Futebol Masculino (em dias modernos precisamos ser específicos), ou seja, de quatro em quatro anos, eu consumo futebol como eu não consumo durante toda a minha vida. Compro o álbum de figurinhas (tradição que mantenho com meus filhos desde a copa de 2014 e completo todos), assisto resenhas esportivas, tento marcar meus compromissos ao redor dos jogos do Brasil e até acompanhei ao vivo, a convocação da seleção brasileira.
No dia após a convocação, eu vi um vídeo que mostrava a reação dos jogadores ao serem convocados para a seleção. Confesso aqui que a alegria extravasada deste vídeo genuinamente me emocionou. Fiquei parado por algum tempo pensando sobre o que acabei de ver e por este tempo, tentei não pensar como eu penso, mas sim como muitos neste mundo objetificado pensariam.
Os pensamentos foram:
- Também, povo milionário que vai só jogar futebol. Quero ver capinar um lote.
- “Num” sei para que esta alegria, vai perder mesmo!
- Como assim convocou o Neymar? (ou qualquer nome aqui) Ele só tem X gols, X assistências e só jogou X jogos.
- Importante mesmo é se preocupar com a política! Futebol não faz nada por nós!
- Entre outros…
Mas como eu então, penso sobre este assunto a ponto de me emocionar com algo tão “banal” como futebol? Por que homens e mulheres estão pulando de alegria para um povo que daqui a um mês só não vai chamar eles de “arroz doce? ” É até muito fácil falar sobre isso como cristão, na verdade. Às noites eu e minha esposa, falamos com nossos filhos sobre as copas passadas, não falamos da quantidade de faltas, da quantidade de assistências, não falamos de como era o histórico dos jogadores antes da copa do mundo. Falamos das alegrias das vitórias, do encanto dos gols, da tristeza da derrota, da expectativa da cobrança de pênalti, quantos anos tínhamos quando gritamos campeão pela última vez, onde estávamos.
Se você voltar para este mesmo período eu vou ter dificuldade de dizer quem eram os presidentes do Brasil. Governadores? Nem tento! E nem começo com deputados ou vereadores! Eu lembro da alegria de ver 11 homens com a camisa do meu país me lembrarem através de uma bola no gol que a vida é maior que a eficiência moderna exigida de nós.
Que por um segundo, um minuto, um dia, eu, isso mesmo, eu sou campeão. Sou campeão sem entrar em campo, sou campeão sem ter treinado, sou campeão sem ter feito nenhum gol pois os que ali me representavam, fizeram todo o trabalho por mim. Eu ignoro por quatro anos este esporte, ignoro meu time local, mas não ignoro a seleção. Não ignoro o meu país. E o Brasil tem problemas? E como! Mais do que qualquer livro possível de escrever, se puder parafrasear o apóstolo João.
Mas na Copa, somos lembrados que a vida é maior do que o contracheque, que as contas que vem, que os juízes do STF, que os políticos. Obedecemos a liturgias sociais como preparar a casa para ver o jogo, comprar enfeites que só nós vamos ver, comprar figurinhas que ninguém vai lembrar, gastar dinheiro com suco, refrigerante, pipoca, por vezes até irresponsavelmente (portanto não o faça) comprar uma tv nova gigante de grande só para ver aqueles 11, aquela camisa amarela e a esperança quadrienal de gritar “é campeão! ”. De abraçar os que ali estão, independente de quem votaram, cor da pele, status social ou quanto tem no banco. De mostrar os jogadores para seus filhos e filhas e ali apontar, tá ali filha o craque, olha que gol bonito, foi com esse gol que ganhamos.
Deus nos criou de forma eficiente, para sermos eficientes em nosso trabalho, mas veja que, desde o relato da criação, os tão necessários números, tão importantes hoje, não nos sãos ditos. Não sabemos o tamanho de Adão e Eva, seus pesos, suas envergaduras, em quanto tempo eles corriam 100 metros, quanto de peso, Adão, levantava no supino, quantos animais ele nomeou no sexto dia. Ao invés disso, vemos a beleza da criação de um Deus que fez homem e mulher a sua imagem e semelhança, com suas mãos os uniu e assim a primeira fala registrada na Bíblia de um ser humano não é:
- Deus, por que eu não posso comer desta fruta?
- Deus, por que o senhor não me deu 6 braços para trabalhar melhor.
- Deus, olha aqui eu nomeei 35.476 animais hoje
- Deus eu te louvo por sua bondade e misericórdia
Não. A primeira fala registrada foi um hino de amor do homem para com sua esposa. “Esta afinal…” Deus criou o homem para contemplar o belo, pois Ele o é. Não apenas o bom supremo, mas o Belo supremo. E assim, ele estimula para que olhemos do belo da esposa ao futebol, mas adoremos apenas a Ele. Contemplamos melhor o Belo, quando contemplamos mais a Deus do que qualquer coisa.
E como disse antes, é fácil como cristão gostar de copa do mundo. Olhe para Cristo e seu trabalho. Eu não fiz nada. Na verdade, fiz sim, eu era o time adversário! Eu tentei de todo jeito atrapalhar o processo, mas Ele, o campeão venceu e Ele, sem eu ter feito nada para ajudar, mas tudo para atrapalhar, grito hoje e gritarei de forma triunfante naquele Dia “Sou Campeão! ”. Nada mais representativo do que isso, não é? Um povo, um Deus, uma vitória que não acaba de quatro em quatro anos, mas dura para todo sempre.
Nos livramos então, nem que seja pelos 90 minutos, dos jogos, da nossa eficácia que será tirada de nós, de números que não nos lembraremos, de políticos e escândalos que estarão do mesmo jeito ano que vem. E que isso nos lembre ainda mais da eterna alegria que apenas Cristo, o campeão dos céus e do mundo, nos pode dar.
A vida é maior do que os números e a eficácia, e o futebol é um lembrete incrível disto!
Em Cristo e esperanço no Hexa,
Pr. Léo

