Eu quero ser um menino de verdade!

(Texto feito e baseado logo após a leitura do fantástico livro Don´t Follow your Heart, de Thaddeus Williams)

Às vezes, verdades óbvias ficam em nossa frente mas não conseguimos enxergar. Seja porque é tão óbvio e nossa cabeça nem processa, seja porque estamos tão distantes dessas obviedades que processamos como algo distante, de eras passadas.

Desde cedo, os desenhos da Disney, vão fundo na mensagem do “acredite em si mesmo”. Não apenas os novos, mas antigos também. Impossível não lembrar da Cinderela cantando “Se você continuar a acredita”. O sonho que você deseja se tornará realidade. Um sonho é um desejo que o seu coração faz.” Então desde cedo, não apenas a Disney como a mídia em geral ela tenta convencer você que a resposta está dentro. Não importa se você tem um papel a cumprir(Elsa, Moana), se vai desonrar sua família(Mulan), quebrar tradições( Valente, Pequena Sereia), siga seu coração que tá tudo bem!

Claro que existem exceções notáveis, mas uma em particular se destaca em minha opinião, Pinóquio.

Isso mesmo, a história de um boneco de madeira que quer ser um menino de verdade é justamente um dos filmes que vai de encontro a filosofia do “siga seu coração” de uma maneira muito direta e ouso dizer, visceral. Vamos primeiro relembrar o filme, afinal ele foi exibido pela primeira vez em 1940 baseado em um romance italiano de 1883( e justamente isso nos ajuda a ver como era um pouco da cosmovisão ocidental antes do pós-modernismo).

Um resumo da história seria: Geppetto um carpinteiro que queira muito ter um filho, cria um boneco e a fada azul atende o seu desejo e dá vida a este boneco, que foi chamado de Pinóquio. Ele então tem suas aventuras ao lado do Grilo Falante(que funciona como a sua consciência), foge de casa para ir em busca do sucesso em um circo, “se mete em altas confusões” e por fim a fada azul o transforma em um menino de verdade.

Claro que o que está acima é resumido até demais, mas sintetiza o geral da história se eu perguntar a você de cabeça como era. E justamente por isso deixamos de fora alguns detalhes que entendo serem cruciais para a ideia de que Pinóquio é uma antítese de muitos filmes da Disney. Quero destacar apenas dois destes detalhes esquecidos mas que são justamente o espírito da trama.

O primeiro é o que talvez toda criança sabe: quando o Pinóquio mente, o nariz cresce. A frase é verdadeira, mas muito simplista. Não é simplesmente mentir, mas veja primeiro o que levou ele até este momento. Ele ignorando o que Geppetto, seu criador ordena fazer e assim ignorando também  a voz do Grilo, sua consciência, abandona a família para buscar a fama no circo.  E o que isso o leva? Prisão, mentiras e por fim, vemos a cena em que vários burros são mostrados e ali revelados que eram justamente meninos. A cena corta para o Pinóquio bebendo e fumando com um outro menino onde o garoto justamente ridiculariza quem segue a consciência, enquanto ele e depois o Pinóquio se transformam também em burros.

Nossa cabeça infantil ou como disse acima, que tende a ignorar coisas óbvias, pensa apenas que é “uma maldição dos homens malvados para ganhar dinheiro transformando meninos em burros” enquanto a verdade óbvia é justamente como pessoas más se aproveitam de pessoas que foram burras ao seguir a voz de seu coração! Quanto mais o Pinóquio fazia o que era errado, ou seja, quanto mais ele seguia o seu coração em fazer o que não deveria, não apenas menos humano ele se tornava, mas ele literalmente ficava mais animalesco e à mercê de outras pessoas. Uma mensagem que não apenas contraria a maioria dos filmes modernos, de crianças ou adultos, mas mostra como a própria sociedade por um tempo acreditou que seguir o seu coração é justamente negar a sua humanidade e se comportar como um animal.

A Bíblia mostra essa mensagem com clareza quando no Salmo 115:1-8 diz:

¹ Não a nós, Senhor, não a nós,

mas ao teu nome dá glória,

por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.

² Por que diriam as nações:

Onde está o Deus deles?

³ No céu está o nosso Deus

e tudo faz como lhe agrada.

⁴ Prata e ouro são os ídolos deles,

obra das mãos de homens.

⁵ Têm boca e não falam;

têm olhos e não veem;

⁶ têm ouvidos e não ouvem;

têm nariz e não cheiram.

⁷ Suas mãos não apalpam;

seus pés não andam;

som nenhum lhes sai da garganta.

⁸ Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem

e quantos neles confiam.

Como bem sintetiza G.K. Beale no título do seu livro, nós nos tornamos aquilo que nós adoramos. E quando aquilo que adoramos é o nosso coração, a nossa vontade, nossos desejos, é justamente como animais que vamos parecer. Em nada lembraremos pessoas feitas à imagem e semelhança de Deus mas seremos como burros, a mercê de outro por ignorar o nosso criador e a sua Lei. Você acha que seguir o seu coração pode te levar a aventuras de auto descobrimento como Moana? Assista Pinóquio.

A segunda coisa que gostaria de lembrar da jornada de Pinóquio é justamente como ele vira um menino de verdade. De novo, nossa cabeça apenas processa: “ A fada azul o transforma no fim em um menino.” Certo, mas após o que? No fim, Geppetto acaba preso na barriga do Monstro pois ele foi atrás de seu boneco mesmo estando ele errado. E assim então, Pinóquio nega a seu coração, e em coragem faz um ato de sacrifício por Geppetto e só após isso, quando ele agiu de fato como uma pessoa, a fada então o transforma em um menino de verdade.

Não é incrível? Um simples desenho mostra uma verdade tão incrível e tão perdida nos dias de hoje: O que nos torna verdadeiramente humanos é justamente quando negamos a nós mesmos 

Para um ceistão isso faz todo sentido. Afinal, foi justamente o que o maior exemplo de homem, ao mesmo tempo que Deus, fez. Cristo negou a si mesmo, tomou a nossa cruz e portanto se quisermos ser “meninos e meninas” de verdade é a Ele que devemos seguir, servir e adorar, não o nosso enganoso coração, mas ao Homem de verdade Cristo Jesus.

A minha idéia com esse texto não foi de evangelizar através de Pinóquio, mas apenas ilustrar com esse lindo desenho, uma verdade que a nossa sociedade cada vez mais tem esquecido e é nossa obrigação lutar contra isso, mostrando até mesmo como esta mesma sociedade um dia pensou e hoje não apenas ignora mas tenta destruir estas verdades.

] Sabemos que a verdade nunca será destruída pois a Verdade é uma Pessoa, que também é o Caminho e a Vida, verdade que não nos envaidece, antes,nos anima ainda mais trabalhar e sermos pessoas de verdade, que amam Cristo muito mais do que a si mesmos.

Em Cristo, o Homem de verdade

Pr. Léo, querendo ser um homem de verdade

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